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Autoritarismo não é carinho

 O papel que os pais ocupam na relação parental é fundamental para um desenvolvimento saudável para a criança.

E mesmo que eles afetivamente não estejam juntos como cônjuges é essencial que entendam que o objetivo enquanto pais é comum. A parceria precisa ser estabelecida para que a relação com os filhos seja nutrida de forma que cada um saiba seu papel hierárquico, e que eles possam dar e receber de forma equilibrada”, defende a psicóloga Rebeca Nascimento.

Essa associação diz respeito também à forma de educar. É até frequente um ser mais autoritário e outro mais permissivo, mas o casal precisa buscar um equilíbrio para a balança não pender sempre para um dos lados. Um bom começo para isso é livrar-se dos estereótipos.

“Quando a gente se desfaz um pouco desses rótulos, consegue perceber que não tem a mãe boazinha e o pai mau; ou a mãe brava e o pai deixa tudo. Tem uma pessoa. E aquela pessoa sendo mãe, e aquela pessoa sendo pai, aquela criança sendo filho. Quando começamos a enxergar com esses olhos, deixamos de permitir que esses preconceitos guiem as nossas vidas e quem deveríamos ser”, diz Nanda Perim. Quando percebemos as individualidades e as respeitamos, abrimos caminhos para educar com respeito e gentileza.

Um bom caminho

Confira 3 passos para fugir da educação baseada na relação de poder do adulto sobre a criança, segundo Ligia Moreiras Sena, autora do livro "Criando com Amor em Tempos de Ódio"

Reconheça a real condição da criança: tenha clareza se ela tem condições de fazer o que você quer. Se o pequeno tem 4 anos, não adianta exigir que mantenha o quarto impecável, sem nenhuma bagunça. Comunique-se bem: diga exatamente o que precisa que seja feito ou como está se sentindo. Falar “Tudo nessa casa sou sempre eu que tenho de fazer” não leva uma mensagem assertiva ao pequeno. “Eu quero que você junte os brinquedos, jogue isto e aquilo no lixo, porque estou muito cansada, e preciso que me ajude, não vou conseguir sozinha”, sim, é uma mensagem eficiente. Mostre a relação de causa-consequência: “Tirou todas as roupas do armário? Não vai dar para brincar enquanto elas não tiverem sido colocadas novamente lá”. Isso é uma ligação correta de causa e efeito. Deixar a criança sem assistir ao desenho mais tarde por causa disso, não.

Mergulho emocional

Em entrevista exclusiva à CRESCER, a pesquisadora argentina Laura Gutman deixou sua mensagem sobre como lidar com nossos sentimentos nesses tempos de quarentena.

“A pandemia não altera a capacidade que nós, adultos, temos de nos investigar, de ordenar a nossa realidade emocional (que se formou quando éramos crianças, quando não havia pandemia). Nem altera a inteligência emocional que podemos disponibilizar, quando compreendemos de onde viemos e decidimos mudar a favor de nossos filhos. A biografia humana é semelhante a um sistema terapêutico: podemos abordá-la a qualquer momento de nossas vidas. Mas, ao contrário de outras terapias, não interpretamos, não julgamos, mas observamos nossa realidade atual, levando em consideração o ponto de vista do menino ou da menina que fomos e entendendo quais mecanismos usamos para sobreviver a um coração partido, desamparo, à violência ou às exigências que temos vivido. Em seguida, é preciso registrar como esses mecanismos se tornaram um sistema automático de relacionamento e de convivência, partindo do pressuposto de que temos de continuar a nos salvar de abusos, quando na verdade ninguém mais pode nos prejudicar.”

Respeito, sempre

Duas dicas de Nanda Perim, autora de Educar Sem Pirar

• Muitos pais confundem o educar com gentileza com não ter firmeza. Quando afrouxar ou segurar as rédeas?
Num contexto de estresse, sendo muito sincera, se os pais não estão dando conta, se estão pressionados, é melhor eles caírem na permissividade do que no autoritarismo, na agressividade. Se você está num dia péssimo, vale mais afrouxar do que, daqui a pouco, pegar a criança pelo braço, gritar com ela e ameaçá-la. Agora, em condições ideais, o caminho é tratar essa criança com respeito e empatia, sem esquecer de dar limites claros, fazer combinados em conjunto e mantê-los, sem ceder com frequência.

• No livro, você mostra por que independênciaé diferente de autonomia. Muitos pais estão estressados com os filhos em casa porque eles “não ajudam”, mas provavelmente as crianças nunca tiveram a autonomia e a cooperação incentivadas. Como sair disso? O motivo de estarmos cansados, sem paciência para dar atenção à criança, é porque fazemos tudo para ela. Então, seu filho não aprende a colocar o sapato sozinho, não pega água, e isso não o faz se sentir útil. Ele não se sente capaz e não tem senso de responsabilidade em casa — o que é importante para uma criança. Quando a gente percebe, dá espaço e permite que o pequeno desenvolva a autonomia, ele faz muito mais coisas por ele, e os adultos ficam menos cansados. E com mais autonomia, a criança se torna naturalmente mais independente. Os adultos assumem, porque querem controlar e que ele faça do jeito deles. Precisamos dar espaço para a criança aprender a fazer no tempo dela.

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