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O Tempo de Cada Criança

“A mente leva algum tempo para desenvolver interesse, ser acionada, aquecer-se em um assunto, alcançar um estado de trabalho lucrativo. Se neste momento houver interrupção, não apenas um período de trabalho lucrativo será perdido, mas a interrupção produzirá uma sensação desagradável, idêntica à fadiga.” – Dra. Maria Montessori

 

Com base em suas experiências de observação de crianças durante um período ininterrupto de trabalho, Montessori escreveu: “Cada vez que ocorria uma polarização da atenção, a criança começava a ser completamente transformada, a se tornar mais calma, mais inteligente e mais expansiva”. Em outras palavras, as crianças são capazes de desenvolver melhores habilidades de concentração quando têm o seu próprio tempo de dedicação a algum trabalho respeitado.

 

A criança não considera as horas e minutos

Para os pequenos, tempo é vida! Isso significa que as crianças não contabilizam o tempo em frações, como fazem os adultos. Pelo contrário, elas precisam de tempo em abundância, para poder realizar todas as atividades que são próprias do seu crescimento, como se vestir/despir, comer, lavar as mãos, etc.

 

Pensando nisso, precisamos dar a criança a liberdade de escolher como “gastar” seu próprio tempo, sem que necessitem cumprir um programa de tarefas preestabelecido de forma a “preencher” o tempo.

 

Montessori observou que, quando as crianças terminam seus períodos de concentração em atividade ininterruptas, elas parecem renovadas, felizes, satisfeitas e até alegres. Ela chegou a conclusão que, enquanto a atenção deles é focada, os pequenos estão se desenvolvendo, organizando seus cérebros e estruturando suas percepções de mundo.

 

Qual é o papel do adulto?

Devemos partir de dois princípios: incentivo e respeito.

Ao perceber a criança envolvida em alguma atividade, fazendo suas repetições, a menos que ela peça ajuda, mantenha-se apenas no campo da observação e não a interrompa. Se a atividade envolver você, como arremessar uma bola ou qualquer outra ação conjunta, mantenha-se disponível pelo maior tempo possível.

 

Temos o hábito de pensar que uma pessoa que precisa de várias repetições para aprender algo não é tão inteligente quanto alguém que “entende” imediatamente. Mas, definitivamente, isso não se aplica a crianças pequenas.

 

De acordo com o neurocientista Dr. Steven Hughes, “as crianças, por natureza, precisam repetir as atividades para abrir caminhos eficazes para os nervos cerebrais. Quando uma criança repete uma atividade, ela está desenvolvendo a arquitetura do cérebro que usará pelo resto da vida.”

 

O adulto precisa dar tempo às crianças para se concentrarem. Do ponto de vista da neurociência, acredita-se que concentrar é envolver a região frontoparietal cerebral em tarefas cognitivas difíceis, de modo a aprender a utilizar as informações e a orientar o comportamento.

 

Montessori sabia que “a concentração é a chave que abre a criança para os tesouros latentes dentro dela”. Mais uma vez, seus métodos desenvolvidos há mais de cem anos são hoje confirmados pela pesquisa moderna em neurociência. Essa concentração é como desenvolvemos a capacidade para aprimorar todas as nossas habilidades futuras e, finalmente, ter sucesso em um mundo complexo. É a base para aprendermos a olhar em volta, descobrir o que precisa ser feito e fazê-lo.

 

Como adultos, devemos nos esforçar para não interromper uma criança focada e concentrada. Precisamos entender que cada criança tem o seu próprio tempo e está no período mais importante do desenvolvimento de sua capacidade de concentração e interesse.

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