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Não é preguiça! Veja transtornos de aprendizagem que dificultam os estudos

Na fase escolar, é comum que algumas crianças e até mesmo jovens apresentem dificuldades para escrever, ler e calcular. Mas, em alguns casos, a situação pode indicar um transtorno específico de aprendizagem, ou seja, quando o cérebro não recebe, processa ou analisa as informações adequadamente. Essas pessoas podem ser chamadas de "preguiçosas" e "desinteressadas", o que compromete a autoestima desde cedo. Para Ellen Brandalezi, psicopedagoga da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, os transtornos de aprendizagem comprometem de forma bastante significativa o desempenho acadêmico do aluno. Por isso, ele apresenta resultados muito abaixo do esperado para seu nível intelectual e de escolaridade. "São alterações específicas do neurodesenvolvimento que afetam as habilidades de leitura, escrita e matemática, prejudicando o funcionamento escolar do indivíduo. Isso independe se o ambiente é adequado e favorável para a aprendizagem".

 

Vale destacar que os transtornos de aprendizagem não estão associados à deficiência intelectual e diminuição da visão ou audição. Também não ocorrem devido a transtornos mentais, doenças, traumas neurológicos ou problemas sociais.

 

O cérebro dessas pessoas funciona de uma forma diferente. Para aprendermos, é necessário que ele realize uma série de conexões entre as diversas áreas, que compreende processos como atenção, percepção, memória, simbolização e conceituação. "Para quem tem um transtorno de aprendizagem, há uma 'falha' em algum desses processos e a pessoa precisa de ajuda específica para lidar com essa dificuldade", explica Eliane de Moura, psicóloga, mestre em psicologia da infância e adolescência e professora do curso de psicologia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

 

Como diferenciar uma dificuldade comum de um transtorno de aprendizagem? É importante que pais e professores estejam atentos à persistência desses sinais e direcionem a criança para uma avaliação multidisciplinar. Somente desta forma os sintomas poderão ser identificados e definidos (ou não) como transtorno de aprendizagem. Para Telma Pantano, psicopedagoga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), o ambiente em que a criança estuda também deve ser levado em conta. "Problemas de aprendizagem são diferentes de transtornos de aprendizagem. O primeiro pode estar associado a questões pedagógicas como alguma deficiência no sistema de ensino aplicado nas escolas; já os transtornos ocorrem devido aos processos cerebrais das crianças, o que dificulta a assimilação de informações", destaca.

O diagnóstico de um transtorno de aprendizagem geralmente só ocorre após a criança ingressar na escola. Para ele, é realizada uma avaliação neuropsicológica, que pode ser feita por uma equipe multidisciplinar (neuropediatras, psiquiatras, fonoaudiólogos, psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos). São feitas diversas entrevistas com os alunos e os pais, para se observar o comportamento da criança, o histórico familiar e escolar. Não há exames específicos que determinem se a criança tem ou não um transtorno de aprendizagem, por isso a observação do comportamento é um fator determinante para o diagnóstico correto.

 

Vale destacar que, pelo fato de ser um transtorno (e não uma doença), não há cura, mas há diversas medidas terapêuticas efetivas que são recomendadas de acordo com a condição da criança ou jovem. "O ideal é ter o acompanhamento de um neurologista, psicopedagogo e/ou fonoaudiólogo, além de um psicólogo para trabalhar com as questões emocionais, como lidar com o sentimento de frustração e de incapacidade, por exemplo", afirma Brandalezi.

 

Os pais não devem pressionar as crianças para melhorar o desempenho escolar ou diminuir seus esforços e os progressos. Já os professores, que muitas vezes são os primeiros a notar os sintomas, devem comunicar os pais sobre as dificuldades do aluno e orientá-los a procurar ajuda especializada. Durante as aulas, a recomendação é sempre conversar com o aluno de forma individual, para evitar uma exposição desnecessária.

 

"Forçar ou brigar só vai afetar ainda mais a autoestima da criança. É importante que os pais identifiquem a forma que seu filho aprende melhor e utilizem estratégias lúdicas como jogos e brincadeiras para deixar as atividades mais leves e prazerosas", diz Moura.

 

(Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/02/11/nao-e-preguica-veja-transtornos-de-aprendizagem-que-dificultam-os-estudos.htm)

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