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Dever de casa: que compromisso é esse?

Todas as escolas tem o dever de casa/para casa como uma de suas atividades obrigatórias

 

            É algo tão forte que até a comunidade se espanta e cobra quando o dever suaviza ou deixa de acontecer. Mas o que é e para que serve?

            Nos primórdios da história da escolaridade, não se dava “para casa”, pois estudava-se em casa e a família era a principal responsável pela aprendizagem das crianças. As de melhor poder econômico contratavam preceptores e pedagogos para ensinar às crianças. As lições eram de casa e em casa.

            Com o surgimento das escolas, as famílias mantiveram como obrigação acompanhar o desempenho de seus filhos, cobrando-lhes tarefas extraescolares, isto é, um tempo de estudo a partir e além do que a escola vinha ensinando. O ensino era centrado em uma relação unilateral: o professor ensinava e o aluno demonstrava que havia aprendido – repetia as lições – e, por isso, tinha que estudar muito para memoriza-los, pois seriam cobrados nas sabatinas. O aprender era de responsabilidade exclusiva do aluno e de sua família. Com isso, consolidou-se na sociedade que sem muito dever de casa, a criança não aprende as “lições” e muito menos a estudar.

            Mas, os tempos mudaram. Pesquisas aconteceram e o que se sabe hoje é que aprender com qualidade exige a participação ativa e responsável do maior interessado que é o aluno, tanto em sala de aula quanto em casa.

            O dever de casa ganhou uma nova forma: é tarefa da criança/adolescente/aluno. Tem como objetivo principal contribuir para o desenvolvimento moral dele, isto é, cumprir com uma obrigação que é sua e assumir a responsabilidade pela qualidade na realização da tarefas e as consequências pela sua não realização. É a construção do senso de responsabilidade, da formação do cidadão. Ele deve ser organizado de tal forma que garanta sucesso na sua realização, dentro de um compromisso estabelecido entre professor e aluno.

            O dever de casa é do aluno e para o aluno. Aos pais cabe prover o local, tempo e material adequados para a realização, além de uma parceria de cumplicidade. Apoiar a criança, ajudando-a a se sentir segura e pensar, se necessário, mas nunca substitui-la ou ensinar-lhe a ludibriar – inventar desculpas, ditar o dever (fazer por ela), dizer que o professor não ensinou... Pais que fazem as tarefas dos filhos estão ensinando que os compromissos podem ser delegados a terceiros, que não precisam ser respeitados. Se a criança mostrar-se descompromissada, recusar-se a fazer o “dever”, ela deve enfrentar as consequências do seu ato. Irá para a aula sem ele, sem desculpas inventadas, e terá que entender-se com o professor.

            Se o dever encaminhado estiver impossível de ser realizado pela criança, ele deve ser devolvido à escola, com as devidas observações da família. A previsão da parceria dos pais na realização de uma tarefa ou outra é muito interessante, porque provoca a cumplicidade entre pais e filhos. Realizar um jogo, assistir uma peça teatral ou construir uma maquete são momentos em que os pais podem estar juntos, sem fazer pelo filho, mas participando com ele.

            O dever de casa/para casa é compromisso do aluno consigo e com a escola.

Fonte: Publicações temáticas – Legislação Educacional/Rede Pitágoras

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