Colégio Tema Novo

Sobre Pais e Filhos

Filhos malcriados e agressivos... O problema da autoridade em crise não é do vizinho, não é acontece no exterior, não é confortavelmente longínquo. É nosso. Parece que criamos um bando de angustiados, mais do que seria natural. Sim, natural, pois, sobretudo na juventude, plena de incertezas e objeto de pressões de toda sorte, uma boa dose de angústia é do jogo e faz bem. Mas quando isso desestabiliza a nós, adultos, e nos isola desses de quem ainda estamos cuidando, a quem devemos atenção e carinho, braço e abraço, é porque, atordoados pelo excesso de psicologismo barato, talvez tenhamos desaprendido a dizer não. Nem distinguimos quando se devia dizer sim. Estamos tão desorientados quanto esses que tem vinte, trinta anos menos que nós. Assim é instalada a inversão, e esta pode ser dolorosa.

           

Muitas vezes crianças são excessivamente malcriadas e adolescentes agressivos demais porque tem medo. Ser insolente, testar a autoridade adulta, quebrar a cara e bater o pé, tudo isso faz parte do crescimento, da busca saudável de um lugar no mundo, mas não ter limites é assustador. Ser superprotegido fragiliza.

           

O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer. Teorias mal explicadas, mal digeridas e mais mal aplicadas geraram o medo de magoar, de afastar, de “perder” o filho. A fuga da responsabilidade, o receio de desagradar (todos temos de ser bonzinhos) aliam-se ao conformismo, o “hoje em dia é assim mesmo". Ninguém mais quer ser responsável: é cansativo, é tedioso, dá trabalho, causa insônia. Queremos ser amiguinhos, mas os filhos precisam de pais. E, intuindo nossa aflição, esperneiam, agridem, se agridem – talvez por não confiarem o suficiente em nós.

           

Ter um filho é, necessariamente, ser responsável. Ensinar numa escola é ser responsável. Estar vivo, enfim, é uma grande responsabilidade. Não basta tentar salvar a própria pele nessa guerrilha social, econômica, ética e concreta em que estamos metidos. Trata-se de ter ao menos um pequeno facho de confiança, generosidade e experiência, e coloca-los nas mãos das crianças e dos jovens que, queiram eles ou não, se voltam para nós – antes de se voltarem contra nós.

 

Lya Luft - Escritora

Área Restrita
Portal Professor

A ESCOLA

Quem somos
Notícias
Eventos
Horários

Colégio Tema Novo © Copyright 2021